Curadoria

CURTA GOiAMuM

Mostra Competitiva de Curtas-metragens de Natal

A Mostra Curta Goiamum 2025 revela uma constelação de vozes e formas que, em sua pluralidade, desenham um mosaico íntimo e pulsante do Brasil contemporâneo. Cada obra parece uma fresta, um caminho singular aberto pela sensibilidade de quem filma para dizer o indizível, seja por meio da fabulação, da memória, do humor ou da denúncia. 

De Acari, no sertão potiguar, onde “Pupá” dá novo sentido ao cotidiano como gesto de afirmação, às estradas rurais do sertão pernambucano em “Tapando Buracos”, onde Rosa e Janaína enfrentam os abismos estruturais com coragem, astúcia e fúria, os corpos em cena são motores de transformação. A presença de mulheres que moldam seus próprios caminhos se reverbera também em “Liberdade sem Conduta”, que encara, com crueza, os paradoxos de um sistema punitivo diante da ruptura com a violência doméstica. E ainda em “Peixe Morto”, que percorre mistério e tensões até desembocar em um desfecho tão radical quanto inesperado.

Nos entremeios da convivência, outros curtas se aproximam pelo que elaboram do passado e do presente. “Arame Farpado” e “Seco” observam o atrito, o silêncio e o desgaste como matéria para travessias internas, seja no despertar e no amadurecimento entre irmãs após um acidente, seja na tentativa de um ex-militar de reencontrar o que foi perdido, vislumbrando a masculinidade endurecida e o que ela impede de sentir, semear e florescer. Já “Medo de Cachorro” mergulha na infância para investigar os traços ressignificados e que permanecem na pessoa adulta, enquanto “Junho de 2002” costura lembranças e experimentações para indagar o próprio ato de filmar, indagar o próprio cinema.

O impulso autobiográfico se amplia como partilha em “Videocarta para o Futuro”, onde tempo, espaço e comunidade se entrelaçam como retorno e projeção. Identidade e pertencimento se expressam também em “Minha Câmera é Minha Flecha”, no qual a imagem se torna extensão do corpo indígena em resistência, ferramenta de contranarrativas e defesa de territórios.

Se alguns filmes operam pela contenção e pela escuta, outros expandem seus códigos com humor e inventividade. É o caso de “Americana”, que desmonta estereótipos ao colocar a experiência trans em cena com leveza, subversão e imaginação. Ou de “Praia das Artistas”, que se encerra ao som das conversas entre amigas e o tempo suspenso entre maré, cansaço e afetividades, fazendo do instante um horizonte partilhado e da vida banal uma poesia de movimento contínuo e coletivo.

A diversidade de temas, estilos e propostas  — e as possíveis conexões e ressonâncias entre os filmes — é a própria essência de um festival que se propõe a ser espelho e provocação, terreno fértil para experimentações, encontros e deslocamentos. Em Goiamum, os curtas irrompem como faíscas em múltiplas direções, capazes de atravessar o presente com urgência, beleza e reinvenção.

BÁRBARA CARIRY, DIEGO BENEVIDES e KEL GOMES

CURADORES DA MOSTRA CURTA GOiAMuM 2025

Bárbara Cariry

Cineasta e produtora. Fundou, em 2007, a produtora e distribuidora SEREIA FILMES e desde então produz projetos autorais e independentes. É graduada em Audiovisual e Novas Mídias, pela Universidade de Fortaleza – UNIFOR e Mestra em Estudos Curatoriais pela Universidade de Coimbra em Portugal. Como Produtora Executiva, atuou em 12 longas-metragens e 10 curtas-metragens. Os filmes que produziu e dirigiu circularam em centenas de mostras e festivais, tendo ganhado prêmios nacionais e internacionais.

Diego Benevides

Diego Benevides Nogueira é jornalista, pesquisador, crítico e curador de cinema. Doutorando e Mestre em Comunicação pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com pesquisa em cinema brasileiro. É membro da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) e sócio-fundador da Associação Cearense de Críticos de Cinema (Aceccine).

Kel Gomes

Jornalista formada pela UFMG, pesquisadora e crítica de cinema filiada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema) e à Fipresci (Federação Internacional de Críticos de Cinema). Atua como editora, crítica, repórter e podcaster do Cinematório. Também é votante do Globo de Ouro desde 2022.

LONGA GOiAMuM

Mostra Competitiva de Longas-metragens de Natal

Vitor Búrigo

Formado em Cinema e Vídeo, trabalhou em TV, rádio e cinema atuando em diversas funções. Em 2013, criou o projeto CINEVITOR, que há onze anos fala sobre cinema. Participou de debates, seminários e júris em festivais de cinema. Por dois anos, assinou como crítico de cinema da Revista Preview. Possui experiência como parecerista em editais de audiovisual. Atuou na comunicação dos festivais Curta Taquary (PE) e Curta Caicó (RN). Assinou a curadoria da 23ª Retrospectiva do Cinema Brasileiro no CineSesc (SP) e foi mediador da mostra ibero-americana de longas do 32º Cine Ceará. Foi também apresentador da Rádio Som Maior e repórter colaborador do Canal Like. Atualmente, além de editor-chefe do CINEVITOR, é membro da ABRACCINE, Associação Brasileira de Críticos de Cinema, apresentador do podcast Plano Geral, do Splash UOL, com Flavia Guerra, e curador dos festivais Curta na Serra (PE), Curta Coremas (PB) e Goiamum (RN).

Vivi Pistache

Pesquisadora, roteirista, curadora, júri e crítica de cinema.  Atuou no  desenvolvimento de roteiros da Casa de Criação e Cinema, O2 Filmes e Globo. Programadora da Mostra Brasil do Festival de Curtas Kinoforum; curadora convidada de algumas mostras e festivais, como a Mostra Oju do CineSesc, Mix Brasil, Fest Aruanda, Festival de Vitória, Sesc TV, Mostra Ecofalante, Goiamun e Curta Santos, Mostra da Região Metropolitana de Belo Horizonte, Cine Fantasy, etc. Júri em alguns festivais como Festival de Vitória, Cine Ceará, Prêmio Revelação do Kinoforum, CinePe, In-Edit, Guarnicê, Prêmio Canal Brasil em alguns festivais. Crítica membra da ABRACINE, colaboradora do Geledés, Cine Ninja e Blog do Arcanjo.